Decisão da Copag – Entre o céu e o inferno

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A Copag na última semana soltou uma notícia bombástica para o mundo do Pokémon competitivo brasileiro. A notícia traz para nós um delay. Coleções só serão válidas no Brasil uma semana após o lançamento da coleção em território nacional. Hoje os lançamentos nacionais acontecem após três meses do lançamento na terra do Tio Sam. O que é bem decepcionante, já que esse ano foi o primeiro que nós tivemos no mesmo formato do mundial, e tivemos esperanças que isso aconteceria sempre daqui pra frente. Se essa regra estivesse valendo no dia do nacional brasileiro de 2015 a gente jogaria um formato até Força Fantasma. Duas coleções atrás do que foi. Imagina que bizarro?!

 

Primeiros momentos

O que isso realmente mudaria para nós, jogadores do Pokémon TCG competitivo. Em primeiro momento, nada. Essa nova regra não vale para a coleção Céus Estrondosos, felizmente. Depois desse hiato pós-nacional os próximos torneios premiere que deverão acontecer no Brasil são os Regionais, que acontecerão em novembro e dezembro deste ano. Em novembro teremos o lançamento oficial brasileiro da coleção Origens Ancestrais, que eu acredito piamente que poderá ser usada nessa primeira leva de regionais. Seria um desastre (e um primeiro retrocesso) ter que jogar regionais no formato XY-ON (bem provável que será essa a próxima rotação) sem Origens Ancestrais, um formato que só existiria aqui no Brasil. Sinceramente acho que a Copag não chegaria tão longe e provavelmente irá acertar o calendário para evitar isso. Com isso fechamos o ano tranquilamente, sem mais preocupações.

Após isso teríamos dois caminhos a seguir. Aqui irei chamar de Céu e Inferno. Um seria o paraíso para todos nós e caso aconteça o Pokémon brasileiro entraria na sua melhor fase com dias memoráveis. O outro seria um caminho muito sombrio e que traria desmotivação e descaso para com o jogo.

 

Céu

Ho-Oh

Nesse caminho a Copag conseguiria, logo após a virada de ano, lançar a próxima coleção (XY: Break) fazendo uma sincronia com as coleções americanas e com isso não afetando em nada nossos torneios premiere. Essa “sincronia” pode ser feita com até 15 dias de atrasado após a coleção ser lançada no EUA. Com isso essa regra não nos prejudicaria e teríamos coleções nacionais atualizadas. Não precisaríamos importar lotes e lotes de boxes, como é feito hoje em dia por diversas pessoas. Outra grande vantagem seria as premiações dos campeonatos serem sempre com a coleção corrente. Isso melhoraria muito nossas premiações atuais, que normalmente são coleções passadas que ninguém quer nem mesmo abrir os boosters.

 

Inferno

darkrai

Nesse outro caminho a Copag continuaria a lançar coleções três meses atrasadas. Nisso nossos premiere seriam totalmente afetados. Jogaríamos um formato já desgastado e totalmente explorado pelo mundo. Ficaríamos com o bagaço da laranja. Treinos online só poderiam ser feitos com amigos tupiniquins, já que estaríamos atrasados três meses. O jogo iria ser desanimador e acredito que muita gente pararia (eu sou um deles). As vendas nacionais não se impulsionariam por isso, vendedores continuariam trazendo box do exterior (já que sua qualidade é bem superior e chegaria 3 meses antes). Os blogs brasileiros perderiam totalmente seus leitores de fora. Não que seja muitos hoje em dia, mas zeraria essa conta. Jogar campeonatos em outros países? Sem chances. Nosso desempenho no mundial seria ainda pior, não conseguiríamos chegar no tão almejado TOP na categoria master.

 

Opiniões da comunidade

 

rodrigues“Esse anúncio da COPAG pode ter dois resultados pro TCG competitivo nacional, um bom e um péssimo. No caso da conseguir lançar as coleções simultaneamente à TPCi, irá trazer muito mais conforto e economia aos jogadores que terão mais uma opção de conseguir as suas cartas. Visto que a nova coleção veio junto com a maior alta do dólar dos últimos anos, os preços das cartas estão absurdamente altos, vide Shaymin EX por exemplo. Caso esses lançamentos simultâneos não aconteçam, o impacto negativo será devastador e terá um tom de tirania sobre o Brasil. Nossos players e campeonatos serão desvalorizados perante o mundo, além de gerar o desinteresse sobre o formato que estará em vigor. Já existe o hype em cartas japonesas imagine quando a versão em inglês tiver saído e não puder ser usada. Vale lembrar à COPAG que por muitos anos os players sustentaram sozinhos o jogo no Brasil e caso algo assim aconteça, ligas e campeonatos paralelos poderão e provavelmente serão criados. A união da comunidade é muito grande neste sentido. Resta torcer pra que os mesmos continuem a fazer o bom trabalho que vem apresentando e que saibam que toda ação tem uma reação de igual força. Com a conectividade de hoje, saber o que o seu público alvo quer é muito fácil.” – Gustavo Rodrigues

 

snake“Na minha opinião, acho a decisão da Copag acertada. Creio que ela vá valorizar o jogo no cenário nacional a longo prazo e a parte prejudicada será a minoria que é a galera que vai pro worlds e vai ter de treinar em 2 formatos. Ao meu ver esse é o único ônus pq de resto é só bonus! Como não ter de gastar rios de dinheiro com carta recém lançada em véspera de competição a valorização do jogo em si que virá com o aumento do consumo de cartas em portugês. Muita gente reclama das premiações da Copag mas esses mesmos nem se dão conta que só compram cartas em inglês o que dá lucro 0 pra Copag. Acho que o pensamento tem que ser de crescimento no jogo no Brasil e não de querer ser igual ao resto do mundo.” – Douglas “Snake” Borges

 

 

pp“Eu acho que essa decisão nem é da Copag. Caso for só fica mais claro que eles não pensam nos jogadores. Teve muito avanço na organização deles, mas deviam mostrar mais interesse, ouvir mais os jogadores. Não em rede social, mas em loja mesmo. Ir em ligas pelo Brasil, nas melhores lojas. Darem premiação corretamente. Dar explicação. Não ficar escondendo. Ficou claro que os juizes sabem muito mais de coisa interna que os próprios players. E eles se negam a falar, a divulgar, para ter alguma mudança nos problemas. A copag teve dois pontos positivos no meu ver: mais torneios e um nacional muito bom. Os negativos dá para ficar uma vida aqui falando. Calendário atrasado, falta de informação, falta de premiação, distribuição errada da premiação. Não dar passagem para o campeão. Não ter LC, promos da liga. Deviam repensar o formato do booster para ele ser mais atrativo. Abri 16 boosters de premiação (minha e do branco do nacional). Guardei apenas 5 cartas sendo: uma rara, 2 trainers e 2 incomuns. É muita frustração esse tipo de premiação. Professor cup foi distribuído mais booster que no nacional. Diferenciar quem apitou e ajudou na temporada dos demais que estão ali só querendo ganhar premiação.” – Pedro “PP” Paulo

 

sid“É um assunto bem frágil. Para os jogadores que jogam apenas nacionalmente, acredito que não terão tantos problemas em se adaptar, o único ponto que pode ser afetado é a criatividade de decks ou a fácil previsão de top decks. Acredito que o lance fica mais pesado para aqueles que almejam o mundial, porque acaba quebrando toda a linha de raciocínio de treinos, incluindo até o PTCGO. Eu sou contra a mudança e espero que consigamos um meio termo para a COPAG e os jogadores, que, acredito eu, seria o lançamento das coleções em português na mesma época das edições em inglês. Sei que isso é um assunto que pode ser complicado, mas também temos que entender que o Brasil é uma “potência” no jogo, tendo o segundo maior nacional do mundo, não podemos ficar para trás nem sermos colocados de lado pela Pokémon Company e COPAG. Espero que no final dê tudo certo e ano que vem tenhamos um nacional ainda mais lindo.” – Sid Guimarães

 

carlos“Olá pessoal da TCGMG. Sobre o anúncio que a copag soltou recentemente, a minha opinião como jogador competitivo e também como jogador amador que um dia já fui (ou sou né rsrsrs!!) é que esta regra que restringe as coleções não lançadas ainda em português a eventos oficiais muito prejudicial para a saúde e dissipação do jogo. Se isso fosse a 10~12 anos atrás eu diria até que não seria tão ruim afinal a comunidade mundial de card games não era tão ligada mundialmente quanto é hoje. Nos dias de hoje é quase impossível um jogador novo chegar a disputar um campeonato nacional sem saber o que é o campeonato mundial, ou até mesmo sonhar em disputá-lo um dia, consequentemente este jogador já teve uma vivência na comunidade, seja em forums, em grupos de facebook, sites e conhece um pouco do Pokémon fora do Brasil. Imaginem o quão virá a ser frustrante jogar em um formato totalmente “dissecado” pelos gringos onde a possibilidade de achar um deck novo é quase extinta, e ainda saber que la fora já estão jogando um novo formato. Outro ponto é os poucos jogadores competitivos que ainda pretendem se manter no jogo e continuar disputando o campeonato mundial no próximo ano, terão que ter um tempo muito grande para se dedicar ao jogo pois em menos de três meses terão que se adaptar ao jogo sendo que iremos jogar o Nacional em um formato e o Mundial será em outro, jogadores japoneses fazem isso porém porque o formato deles é adiantado, logo eles já passaram por um treino no formato do mundial, só precisam relembrar algumas coisas, sem contar o fato de eles em muitos casos serem patrocinados para jogar. Se a copag ainda não pensa nesses jogadores ela deveria voltar no tempo e olhar os números que ela obteve e o quanto o jogo cresceu após o Guto Wada ter sido campeão mundial da junior em 2011, se outro brasileiro repetisse este feito nos dias de hoje que o jogo já está bem difundido o lucro que eles teriam seria ainda maior. Sem contar que para Junior as vezes o contato com o as cartas no idioma inglês ajudam no aprendizado do mesmo, eu digo isso pois quando comecei a jogar tinha 9/10 anos e me ajudou muito. Uma última observação e sugestão para Copag é, uma vez um funcionário me explicou que a demora para lançar a coleção em inglês é porque a tradução é feita pela própria TPCI e eles não tem uma equipe que consiga dar conta disso antes do lançamento da coleção americana e ao mesmo tempo não permitem que este trabalho seja feito pela copag, Acho que a copag deveria ir por um outro caminho e pedir autorização para fabricar as cartas em inglês em território nacional, desta forma fazendo 2 lançamentos por coleção 1 em inglês simultâneo ao americano e outro em português talvez em menor tiragem visando prevenir um prejuízo uma vez que ela mesma já tenha fabricado e lançado o produto em inglês no mercado Nacional. Além é claro de rever o modelo de booster, tiragem de cartas, qualidade e etc, itens muito questionados pela maioria dos jogadores.” – Carlos “Cachorrão” Alberto

Conclusão

A Copag tem o poder em suas mãos para fazer o jogo sua melhor fase ou quem sabe uma das piores. Esperamos que tudo acabe bem e o jogo continue vivo e forte, independente do que acontecer daqui pra frente. Hoje somos o segundo país com maior presença em nacional e seria um desperdício toda essa potência ser jogado fora por uma decisão errada.

 

O segundo maior nacional!
O segundo maior nacional!

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Jogador de Pokémon TCG desde os primórdios que não perde um campeonato por nada. Sua preferência é rogue mas não deixa de se arriscar de vez enquando no tier 1.
  • Renato Christian

    Artigo top demais, parabéns Junio 😀

    • Júnio Gonçalves

      Obrigado Christian. Tudo nosso.

  • Carlos

    Correção: Coleção só serão válidas EM TORNEIOS SANCIONADOS, que são poucos. Mas muitas lojas vão continuar fazendo os torneios próprios seguindo a rotação americana. O que no final é bem irônico. Como a Copag faz um péssimo trabalho no OP. Poucas lojas dependem desse ambiente, por fazem torneios próprios já que a Copag não dava suporte. E agora continuaram a faze-los, ignorando essa mudança estúpida! E tem mais; na minha região, vários jogadores competitivos estão considerando abandonar o jogo definitivamente.

    • Rodrigo Zart Gomes

      Carlos, aqui em minha região também…
      Vamos continuar comprando mais booster americano que nacional porque afinal de contas, existe uma considerável distância no que se diz à qualidade entre os dois produtos, vamos continuar jogando mas inserido em um meta decente (que não é esse formato delay-on proposto pro nosso país) que é o que o resto do mundo joga e na real.

      Sobre os pontos de vista, achei muito interessante a colocação do Snake, que mostrou ter a única opinião contrária à favor da mudança (primeiramente, parabéns pela postura!):

      a) No meu ponto de vista, se precisar comprar produto nacional para incentivar o cenário do jogo, e é algo que eu até gostaria de fazer, a COPAG precisa pelo menos lançar boosters com a mesma qualidade e pontualidade. Não dá pra esperar três meses pra se ter booster de 5 cartas onde as chances de nem vir rara são grandes. Então, não consigo me sentir culpado em cobrar a Copag (que é OP do jogo e acredito que tenho esse direito) mesmo comprando produtos alheios.

      b) “Acho que o pensamento tem que ser de crescimento no jogo no Brasil e não de querer ser igual ao resto do mundo.”

      O ideal é pensar os dois. Claro que como brasileiro, quero que o jogo cresça cada vez mais. Mas também quero que meu país não seja marginalizado com esse delay. Não é nada errado ser igual ao resto do mundo quando estamos na condição de sermos piores.

  • Parabéns pelo artigo Junio!

    • Júnio Gonçalves

      Vlw SonSon. E obrigado pela ajuda.

  • Corrijam o primeiro parágrafo. A coleção atual é Força Fantasma(2014), não Forças Ocultas(2005) como foi mencionado! Boa matéria! parabéns, por expor a opinião de varios jogadores!

    • Júnio Gonçalves

      Corrigido. Muito obrigado pelo seu comentário.