Hall da Fama TCMG – Júnio Gonçalves

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Júnio Gonçalves

 

Continuando nosso Hall da Fama, depois de muitas pessoas mandarem pra gente que gostaram, vamos prosseguir agora com o Júnio Gonçalves, nosso TOP Player de Minas Gerais, primeiro mineiro a jogar um campeonato mundial, já conseguiu top’s em regionais Brasil afora e um TOP 16 no nacional de 2013 com seu deck de Big Basics. Batemos um papo com essa lenda e entrevista está imperdível, confere ai galera.

Nome: Júnio Gonçalves Fernandes

Data de Nascimento: 26/03/1988

ID: 718717

Começou na Base Set

TCMG: Júnio, quando e como você começou a jogar Pokémon TCG?

Júnio: Quando o Pokémon bombou no Brasil eu jogava tudo que existia da franquia. No meio das ROMS do red, blue, yellow tinha uma do Pokémon TCG. Não me lembro exatamente o ano mas foi ali que tive meu primeiro contato com o card game. Fui aprendendo a mecânica. Depois de alguns meses um primo meu me disse que essas cartas eram vendidas na loja Leitura daqui de BH. Então a gente começou a colecionar, época da base set ainda. Foi lá também na Leitura que eu também conheci o Magic. No começo como o dinheiro não dava pra comprar tudo investi primeiro em Magic. Fui em um torneio feito pelo UG, que trabalhava para leitura naquela época, e tomei uma surra. E foi lá que troquei meu deck de Magic por um de Pokémon, com o próprio UG. Como meus primos estavam jogando Pokémon era o melhor a ser feito na época. Foi aí que entrei de vez no jogo.

TCMG: O que te fez continuar a jogar Pokémon e entrar pro jogo competitivo? Como foi essa entrada nesse cenário?

Júnio: Naquela época com certeza foram meus primos. Porque a gente sempre jogava junto. Íamos pros campeonatos. E tinhamos uma pequena rivalidade entre a gente. Tentar sempre melhorar também foi outro fator. Aquele deck que eu peguei com o UG tinha como melhor carta um Charmeleon. Pra chegar ao nível bom do jogo era muito difícil naquela época. Então cada carta boa conseguida era como uma conquista. Depois parei por um tempo, não me lembro o motivo. Voltei quando começou uma liga aqui em BH. Tinha algumas pessoas de maior nível que eu sempre queria jogar contra, isso foi em 2004~2005. Depois parei por um tempo de novo e voltei quando os encontros eram no MC Donald’s, DP-ON. Mas a falta de campeonatos e players não me segurou e acabei dando um tempo de novo. Em 2012, depois de formado, com um pouco mais de tempo e de dinheiro pra investir voltei com tudo e entrei no competitivo que estou até hoje. Com campeonatos mais recorrentes e jogadores novos foi o que me manteve no jogo. Acho que com o clima que temos aqui em BH também facilitou bastante. Nós não somos só uma galera que se reúne pra jogar. Nós somos amigos.

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Campeonato Mundial Pokémon 2013

TCMG: Como foi sua primeira experiência no competitivo nesse último retorno em 2012? De lá pra cá em que você acha que evoluiu como jogador e qual a evolução mais importante?

Júnio: A primeira experiência em premiere foi em um Battle Road no interior de MG, em Juiz de Fora. Estava com um deck que eu gostava muito de jogar Ho-Oh. Acabei perdendo uma partida para o Renato Simões por nervosismo que me fez não ficar em uma boa colocação naquele campeonato. De lá pra cá evolui bastante. Li vários artigos sobre o jogo. Participei de várias discussões. Joguei MUITOS campeonatos. Com isso aprendi várias coisas. Uma das coisas importantes que eu acho que todo jogador precisa ter é o conhecimento sobre as regras do jogo. Perdi uma vez no top 8 de um City em SP para o Gabriel Semedo por falta de conhecimento de regra, o que me deixou bastante frustrado. Então procuro sempre conhecer o máximo de regras possíveis. A experiência trás outros benefícios. Hoje em dia é muito difícil eu ficar nervoso/ansioso durante uma partida. Aprendi também a reconhecer o mérito do adversário e acreditar que o jogo não depende totalmente de sorte, como muitas pessoas, principalmente novatos pensam.

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O começo da lenda!

TCMG: Como você está indo na temporada atual? De quais campeonatos participou, quais as melhores colocações, qual a melhor experiência dessa temporada?

Júnio: Não muito bem. No começo da temporada eu tava muito perdido no formato. Consegui me encontrar nos Cities aqui em MG. Dos 3 cities que participei fiquei em vice, terceiro e primeiro, respectivamente.  Mas fora, em BSB, GYN, RJ e SP, os campeonatos grandes, não consegui pegar top em nenhum que participei. Minha melhor colocação nesses campeonatos foram dois 9º lugares em regional, um em GYN e outro no RJ. As melhores experiências foram nesses regionais. Adoro jogar partidas contra os top players do Brasil. Nesse último fim de semana joguei uma partida contra o Marcelo Magalhães, o atual campeão nacional, inesquecível. Eu gosto de jogar contra pessoas melhores do que eu. Gosto do desafio. Nessas partidas que me concentro muito e jogo o meu melhor.

TCMG: Por falar nisso, quem são os 5 melhores jogadores do Brasil, na sua opinião?

Júnio: Essa é uma lista muito difícil de se fazer. Tem muita gente boa no Brasil. Mas vou escolher alguns aqui que eu vejo como melhores. Que já me surpreenderam bastante e já me ajudaram com o jogo.

1- Alex Silva

2- Gabriel Semedo

3- Snake

4- André Bortoni

5- Vina

TCMG: Você disse anteriormente que joga desde quando pokémon era febre no Brasil, por volta de 1999 e continua no TCG até hoje, mesmo tendo alguns intervalos. Como você vê o cenário atual do jogo em BH e em Minas?

Júnio: O cenário atual de BH está muito bom. Estamos crescendo muito. Essa semana agora vamos ter o nosso primeiro regional. A galera tá levando o jogo a sério o que é muito bom. Acho que daqui a pouco, com a galera pegando experiência, a gente vai chegar a ser uma das maiores referências de Pokémon TCG do Brasil. No interior acho que o jogo caiu bastante. Alguns passaram a morar aqui em BH o que fez com o jogo diminuísse em suas cidades. Acho que o jogo de MG atualmente se resume a BH.

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Good Luck, Pooka!

TCMG: No Brasil você fez um top 5 dos melhores jogadores, para você, quem são os melhores do mundo?

Júnio: Eu gosto muito dos players que pensam fora da caixa, dos que conseguem inovar. Então minha lista do top players do mundo tem muito disso.

1- Jason Klaczynski

2- Pooka

3- Ross Cawthon

4- Takuya Yoneda

5- Ryan Sabelhaus

TCMG: Você é um jogador experiente, que já acumulou top’s em regionais e até em um nacional, de todas as suas conquistas, qual você mais se orgulha?

Júnio: Com certeza do top no nacional. É o maior campeonato do país e o mais difícil. Joguei contra top players o campeonato inteiro. Foi muito difícil e o mais gratificante. Mas também me orgulho bastante do Battle Road de Divinópolis. Foi o primeiro premiere que eu ganhei. Joguei com um deck feito por mim mesmo. Uma lista do zero. E isso não tem preço.

TCMG: Vou voltar a falar de BH. Pra você quais são os destaques da temporada atual em Minas? Além disso, quem são os 5 melhores players daqui?

Júnio: BH conseguiu melhorar muito no jogo. A conquista do regional do RJ pelo Pedro foi o destaque da temporada. O Pablo me surpreendeu muito nos Cities. E a gente jogou duas finais consecutivas. Fiquei muito feliz por ele. Além dos velhos de guerra que continuam com a mesma força de sempre.

1- Dyego

2- Pedro

3- SonSon

4- Renato Ribeiro

5- Gustavo Daniel

TCMG: Pra você, o que fez o TCG crescer tanto por aqui, o que ainda falta para o TCG de BH e como alcançar?

Júnio: Pra mim foi um conjunto de fatores que fez BH chegar onde está. A carisma da galera foi um fator que contribuiu bastante. Os bons jogadores veteranos fizeram com que os novatos tivessem em quem se espalhar e competir. Outro fator importante foi a UG Cardshop aceitar o jogo e comercializá-lo. Ter um lugar para jogar que não seja um fast food faz toda diferença. Todos nós ajudamos o jogo a ficar desse jeito. Sendo fazendo pequenos campeonatos, realizando releases. Isso tudo contribuiu. O que realmente falta é questão de tempo. Precisamos de experiência e passar alguns perrengues para sermos os melhores players do Brasil. Falta um pouco de inovação. Acho importante acompanhar o meta lá de fora mas precisamos ter coragem para inovar também. Testar techs que nunca foram usadas. Decks novos. Ideias malucas. Pensar fora da caixa.

TCMG: Acho bacana demais a importância que você tem com os novatos, BH ainda é uma cidade em crescimento no Pokémon, você como uns dos melhores jogadores de MG e com mais experiência, até que mundial, qual a dica você dá para esses iniciantes? E qual o papel nosso, com maior experiência podemos fazer para que o nível aumente sempre mais.

Júnio: Parafraseando o E.T. Bilu “Busquem conhecimento”. Hahahaha Mas é sério… Procure sempre entender o jogo. Entenda o motivo de cada carta estar naquele deck e qual o sentido daquilo. Entre de cabeça no jogo. Assista stream, leia report, leia análises, participe de fórum. Seja crítico. Participe de campeonatos. Jogo é jogo. Treino é treino. No campeonato você vai entender o que é o jogo. Viaje! Vc vai ver como as coisas são diferentes em outros lugares e irá aprender muito com isso. Não fique só na teoria. Coloque em prática para ver como funciona e se funciona. Agora para os veteranos vocês precisam ser pacientes com os novatos. Passe suas experiências para frente. Conhecimento gera conhecimento. Vou bater de novo na tecla. Pensem fora da caixa!

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VS Argentina

TCMG: Você já teve uma experiência internacional, jogou o maior campeonato de Pokémon, o Mundial no Canadá, depois de 2 anos desde acontecimento, olhando friamente, o que os estrangeiros têm como diferente de nós brasileiros? Existe uma diferença de nível mesmo?

Júnio: Imagina um campeonato onde vc enfrentaria 8 rodadas contra o Semedo, por exemplo. O mundial é isso. Vc joga um campeonato contra top players o tempo todo. Não estamos tão atrás deles não. Acho que a maior causa de não termos bons resultados no worlds é a diferença de meta. A gente não conhece bem o meta de lá. Fica difícil de ler. Mas acho que vamos conseguir bons resultados na Master em breve. A galera está empenhada nisso e acredito muito em alguns jogadores daqui.

TCMG: Você está atrás de 80 cps do mundial, sua vontade é clara de querer participar novamente. Pensando no individual, o que você espera desse mundial pra você, Júnio? Quais são suas metas? Claro que vencer o mundial é o pensamento de todos, mas sabemos que isso é muito difícil.

Júnio: Acho que estou bem mais preparado do que quando eu fui da primeira vez. Quando eu fui tive ajuda de algumas pessoas para treinar, Renato Ribeiro, Renato Simões e do Lucas Matias. Eles me ajudaram bastante pra treinar contra os decks da época. Mas era final de temporada no Brasil. Ninguém estava realmente interessado no jogo durante aquele período. Acho que agora vai ser diferente. Já temos mais outras duas pessoas com vaga garantida pro mundial e o jogo não vai “pausar” por aqui. Estou mais confiante e mais experiente. Não acredito em top pra mim. Não consigo pensar tão alto assim. Só quero ir bem e representar BH e o Brasil. Quero me divertir.

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Gengar SF

TCMG: Qual sua carta preferida de todos os tempos e por que?

Júnio: Minha carta favorita é Gengar StormFront. Naquela época não existia netdeck então criei um deck do zero sendo essa carta a principal. Esse gengar é muito forte. Acho que é a carta mais forte que já inventaram. Ele é completo. Destruia os pokémon suporte no banco. Seu ataque por número de Trainer era muito bom. E tinha o Poké-power mais OP. Outra carta que eu gosto muito e todos devem saber é o Ho-Oh EX. Com ele ganhei um Battle Road e peguei alguns tops em Cities pelo Brasil.

TCMG: Você tem algum sonho dentro do jogo? Um título ou conquista que almeja alcançar algum dia?

Júnio: Gostaria de conseguir ser um top player do Brasil. Me espelho bastante naqueles que citei como os melhores e sonho em um dia chegar ao nível deles. Conseguir vencer um campeonato Tier 2.

TCMG: Júnio, você disse que se espelha nos top players, o que faz de um jogador ser um top player? Quais as características necessárias para ser considerado.

Júnio: Basicamente é uma pessoa que entende muito bem o jogo. Quando você conversa com ele você nota que ele tem uma visão diferenciada do jogo. Com isso vem os resultados. Já tive conversas com esses top players que realmente me abriram a cabeça e me fez entender algumas coisas. Assistir partidas deles é muito bom. Cada turno uma lição nova.  Eles conseguem pensar vários turnos na frente e antecipar jogadas. Esses jogadores tem uma regularidade incrível. E o nível de concentração deles durante uma partida é quase de um monge meditando.

TCMG: Pergunta do Dyego Castro. Qual foi a atitude mais bonita que já viu dentro do jogo? E já viu alguém tentando ser desonesto propositalmente nos jogos?

Júnio: Acho que todo Fair-play é bonito durante o jogo. Uma que me marcou foi na final do “Klaczynski Open” em que o Ross Cawthon deixou o Lex D’Andrea voltar uma tool do garbodor que ele baixou antes de ter recuado o Pokémon. Aquele campeonato tinha uma premiação absurda e o Ross não pensou duas vezes em deixar o Lex voltar. Tava claro que ele tava fazendo a jogada certa, mas errou em uma ordem de ações. Agora desonestidade infelizmente se vê muito por aí. Teve um regional que eu participei que o player olhou os prizes, deu double draw, comprou prize. Isso tudo sem o oponente notar. Infelizmente isso acontece e temos que ficar de olho.

Júnio, para nós da TCMG já consideramos você como um TOP Player, um agradecimento por tudo que fez pelo jogo por aqui, estamos torcendo para que consiga os pontos necessário para levar nossa marca lá fora também. #roadtoworlds #nóstemoscerteza

Jogador desde quando saiu a Base Set aqui no Brasil, tendo minha melhor temporada 11/12, onde que no Nacional 2012 consegui o primeiro top pra Minas Gerais, ficando em 7º colocado. Venci alguns torneios como City’s e BR’s e top’s nos Regionais. Parei por um tempo, mas estou de volta para esse incrível jogo.
  • Wallysson Lima

    Lenda demais!